
Pesquisadores do Centro de Robótica (CRob) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveram um sistema de controle remoto intuitivo para guiar a teleoperação de braços robóticos em robôs quadrúpedes. A tecnologia possibilita que os robôs reproduzam movimentos do braço humano em tempo real, tornando sua manipulação mais fácil e segura. O trabalho foi eleito como melhor paper no Simpósio Latino-Americano de Robótica (LARS) de 2025 e agora a equipe trabalha para publicação dos resultados em uma revista científica.
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O novo sistema substitui a teleoperação tradicional via joystick, semelhante a controles de videogame, que, segundo os pesquisadores, não é intuitiva e demanda conhecimento técnico específico. Murilo Vinicius da Silva, estudante de engenharia da computação e coautor do trabalho, explica que o objetivo é simplificar a teleoperação. “O nosso foco era pegar essas ferramentas e facilitar a vida. Nada mais intuitivo do que você controlar o braço do robô com o seu próprio braço”, completa. O estudo foi desenvolvido com o robô Spot, da empresa de engenharia robótica Boston Dynamics, geralmente utilizado para acessar ambientes remotos e perigosos de maneira mais segura. No caso da pesquisa, sua aplicação foi pensada para uma base offshore, que são instalações de apoio para exploração e produção de petróleo e gás natural em alto-mar. Apesar de já contar com funcionalidades importantes, como o desvio de obstáculos, o projeto adiciona a ele aplicações que não são originais de fábrica, mas que são necessárias para o contexto da base. |
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A iniciativa conta com o apoio da Petrobras, que pretende utilizar o projeto para manipulação e manutenção de sistemas industriais em ambientes onde a presença humana não é viável. “O quadrúpede se encaixa nesse contexto, graças a esse atributo de poder andar em vários terrenos, subir escadas e manusear certas ferramentas com o braço”, explica Matheus Hipólito Carvalho, estudante de Engenharia Mecatrônica na EESC e coautor da pesquisa. A tecnologia permite maior autonomia para bases offshore. “A ideia da Petrobras é realmente ter muitos robôs na plataforma, que façam tanto a identificação dos objetos quanto o mapeamento dela e a sua manutenção”, explica Silva. |
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Braço robótico x braço humano

O sistema pode ser alternado entre os modos manual e autônomo, que podem ser escolhidos através da identificação da contagem de dedos. Se o usuário levantar um dedo, o modo de teleoperação manual é acionado; se dois dedos forem levantados, o modo semiautônomo é ativado, enquanto o modo autônomo é acionado pelo gesto de mão fechada.
No modo de teleoperação manual, um circuito de controle sincroniza o braço do Spot com a posição pretendida pelo usuário e as ações da garra – abrir e fechar – são ativadas em resposta aos gestos mostrados. O semiautônomo utiliza uma rede de detecção para reconhecer os objetos da cena. O modo de preensão do objeto é ativado pelo gesto de punho fechado e a liberação pelo gesto de palma aberta, e o robô realiza de maneira autônoma a aproximação e a atuação da garra.

O projeto foi idealizado e orientado por Ricardo Godoy, pesquisador de pós-doutorado na USP – Imagem: Cedida pelos pesquisadores
O vídeo demonstra o funcionamento da teleoperação


