Projeto “Elas na Engenharia” começa com aulas sobre eletrônica, transportes e aeronáutica

No último dia 17 de abril teve início o período de aulas do Projeto “Elas na Engenharia”, organizado pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP). Trata-se de um projeto de extensão que visa combater a disparidade de gênero nas ciências exatas, ao incentivar meninas do ensino médio das escolas da região a considerarem as carreiras tecnológicas como opção profissional.

Somado ao incentivo acadêmico, a iniciativa é estratégica por abrir as portas da USP à comunidade, permitindo que as estudantes conheçam de perto o funcionamento da instituição e descubram as diversas oportunidades que uma universidade pública oferece para o seu futuro.

Até o dia 3 de julho, 20 meninas selecionadas de escolas de São Carlos e região que cursam o segundo ou terceiro ano do ensino médio terão aulas às sextas nas dependências da EESC, que seguirão temas relacionados à eletrônica (componentes eletrônicos, associação de componentes integrados e arduíno); à transportes (planejamento dos sistemas de transportes, modos de pavimentação e como é feito na prática e descrição de terrenos por meio de geomática)  e à aeronáutica (desenvolvimento de planador, construção e lançamento de foguete com garrafa PET).

“As aulas são dinâmicas e 100% práticas, o que possibilita a elas vivenciar a USP, utilizar os laboratórios da EESC e conhecer de perto a rotina universitária. É uma imersão real para desmistificar as exatas e incentivar o protagonismo feminino na engenharia. Além disso, o projeto é uma oportunidade valiosa para que elas conheçam as formas de ingresso na universidade, a diversidade de
atividades extracurriculares e as políticas de bolsas e permanência, mostrando que a USP é um caminho possível e acessível”, destaca Luciana Montanari, presidente da Comissão de Graduação e Coordenadora do Projeto “Elas na Engenharia” da EESC.

A ideia é que a EESC seja a porta de entrada para atração de novos talentos femininos e ampliação de sua representatividade nas exatas. “Ao final, a expectativa é que as jovens desenvolvam confiança técnica e protagonismo para seguir carreiras tecnológicas. Com isso, a instituição fortalece seu impacto social na região de São Carlos e ajuda a formar a próxima geração de líderes
na engenharia”, ressalta Luciana.

O projeto existe desde 2019 e já construiu uma trajetória de crescimento desde então. O que começou com apenas três frentes de ensino expandiu-se para seis módulos especializados: Mecânica, Eletrônica, Química, Transportes, Geotecnia e Aeronáutica.

Para Luciana, “essa evolução reflete o compromisso de diversos voluntários, docentes, funcionários e alunos, de oferecer uma formação prática e de qualidade para meninas do ensino médio. O projeto, inclusive, tem como um exemplo inspirador a Maria Clara, aluna da edição de 2024, que acaba de conquistar sua vaga no curso de Engenharia de Materiais e Manufatura da
própria EESC. Casos como o dela comprovam que o projeto não apenas incentiva, mas efetivamente transforma o interesse em tecnologia em carreiras concretas”.

É dessa forma que o programa se torna um agente de mudança na equidade de gênero e uma ponte essencial para o ensino superior. Ao desmistificar os caminhos para o ingresso e revelar o vasto horizonte de oportunidades acadêmicas e profissionais, o projeto atua como um poderoso incentivo para que essas jovens busquem sua formação na universidade e nas carreiras de
exatas. Assim, a iniciativa se torna a prova material de que, com orientação e vivência prática, o lugar das mulheres é onde elas escolherem estar, inclusive nas salas de aula da engenharia.