A Universidade de São Paulo criou infraestrutura para o ensino enriquecido por tecnologia, com a institucionalização do e-disciplinas como plataforma de ensino, a disponibilidade de estúdios para gravação de vídeo-aulas nos campi e os convênios com as plataformas Coursera e EdX.
Em paralelo, o Programa de Desenvolvimento Profissional Docente (PdPd) da Pró-Reitoria de Graduação capacita os docentes para atender às expectativas de novos paradigmas de ensino e aprendizagem. A conjunção desses dois fatores criou um ambiente propício para a inovação do ensino de graduação.
A disciplina SEP 500 – Organização: modelagem e sistemas de informação é oferecida no terceiro semestre do curso de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos. Ministrada pelos professores Fábio Müller Guerrini e Lucas Gabriel Zanon, com a monitoria de Lívia Maria Bettini de Miranda (PAE) e Thalita de Aquino Lima (PEEG), propõe uma jornada de aprendizado baseada na taxonomia de Bloom que integra a metodologia de sala de aula invertida, cursos abertos on-line massivos (MOOCS), a curricularização da extensão e a metodologia Design Science Research para produzir artefatos aplicáveis a situações reais.

A sala de aula invertida permite um reposicionamento do tempo presencial. O método libera a aula presencial para atividades baseadas no desenvolvimento de projetos reais com organizações públicas e/ou privadas.
O processo de aprendizagem é organizado pela taxonomia de Bloom em seis níveis.
Os níveis básicos (lembrar e entender) baseiam-se em atividades pré-aula via Coursera, vídeos no Youtube e bibliografia de autoria dos docentes. A base teórica, de caráter instrumental, é desenvolvida de forma autônoma pelos estudantes por meio de cursos elaborados pelos próprios docentes na plataforma Coursera – Modelagem de Sistemas Soft (SSM) e Modelagem de Empresas para Sistemas de Informação (4EM) -, além de vídeos disponibilizados gratuitamente no YouTube sobre Sistemas de Informação. Esses materiais são complementados em sala de aula por discussões conduzidas pelos docentes.
Os níveis intermediários (aplicar e analisar) baseiam-se em atividades do projeto, sob supervisão dos docentes, com o auxílio de monitores PAE e PEEG. O desenvolvimento dos projetos fundamenta-se na Design Science Research (DSR) para gerar artefatos baseados em modelos organizacionais e sistemas de informação.
Nos níveis superiores (avaliar e criar), os estudantes justificam decisões, refletem sobre os limites dos modelos e constroem artefatos que serão validados pelo cliente final.
Ao final da disciplina, além dos créditos acadêmicos da USP, os estudantes também obtêm certificados emitidos pelo Coursera, amplamente reconhecidos tanto no meio acadêmico quanto no mercado de trabalho.

A disciplina SEP500 participa da curricularização da extensão. A validação externa transforma as sugestões de melhoria em aprendizado e assegura uma solução real e aplicável. Há entregas parciais que são corrigidas e avaliadas pelos docentes e as monitoras por um sistema de rubricas.
No oferecimento de 2026, os projetos foram desenvolvidos com situações problema do Instituto Pasteur de São Carlos e da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos.
A Inteligência Artificial (IA) foi utilizada como habilitadora do processo de ensino e aprendizagem, de forma construtiva, para estimular o aluno a melhorar o resultado a ser entregue. No desenvolvimento do projeto, a IA materializou os requisitos funcionais e os casos de uso a partir da implementação do Sistema de Informação, de consultas via SQL e o mockup.
Os representantes do Instituto Pasteur e da Santa Casa avaliaram que os resultados alcançados pelo projeto atenderam às expectativas e apresentaram melhorias que podem ser incorporadas na medida do possível à realidade das instituições.
No caso do Instituto Pasteur há a possibilidade de melhoria do monitoramento de consumo de kits para análises clínicas, antecipar vencimentos, classificar perdas por causa e aprimorar o processo de compras.
Em relação à Santa Casa, há a possibilidade de melhoria no cadastramento de convênios, de novos medicamentos e seu controle de uso.
O impacto para os alunos pode ser avaliado pela declaração espontânea de uma aluna no LinkedIn sobre a disciplina: “Ver todo esse ecossistema conversar perfeitamente, desde os objetivos estratégicos até a estrutura lógica do banco de dados, nos dá a certeza de como o pensamento sistêmico é indispensável para o mercado de trabalho”.
A experiência da disciplina aliada às iniciativas da Universidade de São Paulo demonstra que é possível transformar a graduação em uma experiência mais significativa para formar profissionais capazes de atuar em problemas complexos nas organizações.
