
A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) fará a revisão, a atualização e elaboração dos manuais técnicos do projeto geométrico rodoviário do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O projeto geométrico é a etapa do planejamento que avalia a topografia, hidrologia, geologia e geotecnia do terreno onde se pretende construir uma rua, estrada ou rodovia.
“A matriz de transporte no Brasil depende muito das rodovias. Cerca de 65% das cargas são transportadas pelas rodovias e é nossa responsabilidade garantir a segurança viária. Essa parceria com a EESC resultará em documentos mais modernos e em novas normativas, fundamentais para desenvolvermos projetos melhores e salvar vidas”, explicou o diretor de Planejamento e Pesquisa do Dnit, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello.
O contrato foi assinado pela EESC, Dnit e Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (Fipai) nesta terça-feira, dia 1º de setembro, em uma cerimônia que contou com a presença do reitor Aluisio Segurado, a vice-reitora Liedi Bernucci, o vice-diretor da EESC, Antônio Nélson Rodrigues da Silva, e outros dirigentes da Universidade.

“Com essa parceria, cumprimos nossa missão institucional de mobilizar saberes e talentos para produzir conhecimentos que se transformam em ações concretas, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do País e garantindo uma melhor qualidade de vida a todos os brasileiros. A sociedade espera muito da USP e tenho certeza de que o Departamento de Engenharia de Transportes da EESC saberá atender a essa expectativa”, afirmou o reitor.
O diretor-presidente da Fipai, Luiz Gonçalves Neto, fez questão de ressaltar que “esse projeto é de elevada relevância para a Engenharia de Transportes do Brasil e para toda a infraestrutura rodoviária. É uma honra para a Fipai viabilizar essa cooperação e contribuir para que o conhecimento produzido na USP se transforme em norma, em prática, em benefício público”.
Os manuais técnicos são documentos de referência para profissionais e instituições envolvidas no planejamento e no projeto das rodovias brasileiras, sua atualização influencia a maneira como a infraestrutura rodoviária será projetada e avaliada no Brasil nos próximos anos.

O diretor da EESC, Fernando Martini Catalano, pontuou que “o Departamento de Transportes da Escola é um departamento pequeno, mas que desenvolve projetos grandes e muito significativos. Esta parceria com o Dnit, em particular, é de suma importância para a sociedade porque tem como objetivo modernizar e atualizar os requisitos para a construção das nossas rodovias e infraestruturas rodoviárias, fundamental para o transporte no Brasil”.
Modernização e segurança viária
O documento assinado prevê a realização de serviços especializados de revisão, atualização e elaboração de manuais técnicos relacionados ao projeto geométrico rodoviário, com base nos documentos sob a responsabilidade da Coordenação-Geral do Instituto de Pesquisas em Transportes (IPR/Dnit).
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“Nosso trabalho será fazer uma revisão ampla desses referenciais, incorporando a evolução do conhecimento científico e tecnológico e as novas demandas da engenharia rodoviária. Alguns desses documentos foram publicados há mais de duas décadas, período em que ocorreram mudanças importantes nos veículos, no tráfego, nas tecnologias disponíveis e, sobretudo, na maneira como compreendemos a segurança viária e a interação entre o motorista, o veículo e a infraestrutura”, explica Ana Paula Camargo Larocca, docente do Departamento de Engenharia de Transportes e coordenadora do projeto. |
Serão atualizados quatro manuais: o Manual de Projeto Geométrico de Rodovias Rurais (1999), o Manual de Projeto de Interseções (2005), o Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas (2010) e o Manual de Projeto Geométrico de Acesso de Áreas Lindeiras (2024). Também está prevista a elaboração de um documento inédito, o guia para orientar a implantação de áreas de escape em rodovias – estruturas especialmente importantes em trechos rodoviários críticos.
“Um dos aspectos que consideramos especialmente importantes é a incorporação de uma visão contemporânea de segurança viária. Hoje, sabemos que uma rodovia segura não depende apenas do atendimento a parâmetros geométricos e normativos. É necessário considerar também como o usuário percebe e compreende a infraestrutura, as características dos veículos atuais, as condições operacionais e a possiblidade de que erros humanos ocorram. O sistema deve ser concebido para reduzir riscos e, sempre que possível, evitar que um erro resulte em consequências graves. Para quem utiliza as rodovias, isso pode ser traduzido no médio prazo em projetos mais seguros, consistentes e adequados às condições reais de operação, contribuindo para a prevenção de sinistros e para a redução de sua gravidade”, destaca a pesquisadora.
O prazo de vigência do projeto é de 36 meses e, além da atualização dos manuais, também serão realizados workshops, cursos de capacitação e treinamento para servidores e colaboradores do Dnit.








Por Erika Yamamoto | Jornal da USP

