EESC-USP amplia conexões globais com mais de 90 acordos internacionais para pesquisa e intercâmbio estudantil

Ampliar o alcance e a qualidade das pesquisas, melhorar a formação dos estudantes e contribuir para a capacidade de enfrentar desafios nacionais e globais. Esses são alguns dos objetivos que vêm sendo alcançados pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) em seu processo de internacionalização.

Os avanços registrados nos últimos cinco anos, como demonstram os números a seguir, evidenciam a ampliação das atividades de cooperação internacional da Escola.

Entre os anos de 2021 e 2026, mais de 1.170 estudantes da EESC-USP estiveram envolvidos em ações de mobilidade internacional, somando fluxos de envio (outgoing) e de recepção (incoming). No período, 528 alunos de graduação e 205 de pós-graduação embarcaram para o exterior, enquanto, no sentido inverso, a Unidade acolheu 233 graduandos e 205 pós-graduandos estrangeiros, revelando o tamanho desse movimento de chegadas e partidas acadêmicas.

Essa dimensão foi alcançada, entre outros fatores, por meio da construção de relações com instituições de ensino e pesquisa de diversos países, formando uma sólida rede global. Atualmente, a EESC mantém mais de 90 acordos com instituições em todos os continentes, sendo a Europa e a América do Norte os destinos mais procurados. Essas parcerias possibilitam mobilidade acadêmica para concessão de duplo diploma na graduação em Engenharia (a certificação é conjunta entre a USP e a instituição parceria), cooperação acadêmica na área de atuação, realização de pesquisas colaborativas, eventos conjuntos e mobilidade de docentes e estudantes para experiências, aprendizagem e outras atividades científicas e culturais.

“Possibilitar a troca de conhecimento e a troca de experiências é algo fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias. Hoje, instituições que estão entre as melhores do mundo abrem suas portas para nossos alunos e pesquisadores desenvolverem pesquisas e inovarem. Isso demonstra o nível do nosso trabalho, ao mesmo tempo em que contribui significativamente para a nossa área de competência e para a qualidade científica”, comenta o professor Marcelo Becker, do Centro de Robótica da USP (CRob).

Atualmente, dois doutorandos orientados pelo docente desenvolvem pesquisa na ETH Zurique – universidade suíça frequentemente classificada entre as 10 melhores do mundo -, como parte de um projeto focado em robôs andadores (quadrúpedes). Becker comenta que é rotina a presença de pesquisadores estrangeiros nos laboratórios do CRob, graças às parcerias com inúmeros países.

Nos últimos cinco anos foram registradas mais de 480 mobilidades internacionais de docentes voltadas para pesquisas conjuntas, missões acadêmicas e congressos científicos. Considerado o tamanho do corpo docente, a EESC ocupa os primeiros lugares da USP em indicadores de internacionalização, fruto do alto grau de engajamento e aprovação em chamadas competitivas internacionais. Proporcionalmente ao número de docentes, a EESC apresentou resultados expressivos, tanto em relação à quantidade de propostas submetidas quanto ao número de projetos aprovados. A tabela abaixo apresenta a participação, nos últimos cinco anos, das Unidades da USP com maior número de propostas aprovadas em editais internacionais voltados ao fomento de colaborações em pesquisas de ponta, à participação em cátedras, à realização de conferências, entre outras iniciativas. 

As parcerias aprovadas envolvem universidades de prestígio global, como a University of Surrey e University of Birmingham (Reino Unido), North Carolina State University (EUA), Université de Franche-Comté e Université de Lille (França), além da University of Wollongong (Austrália).

Os nove projetos da EESC recentemente aprovados nessas chamadas abordam temas de relevância global e estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com destaque para áreas estratégicas, como Água Potável e Saneamento, Energia Limpa e Acessível, Consumo e Produção Responsáveis e Ação Contra a Mudança Global do Clima

O professor Fernando Martini Catalano, diretor da EESC, explica que esses editais são extremamente concorridos por instituições de diferentes países, que disputam oportunidades de financiamento e colaboração científica, e a aprovação de propostas da Escola evidencia sua relevância. “Por estarem vinculados às prioridades dessas agendas da ONU, esses projetos buscam soluções de impacto global. Fazer parte dessa rede possibilita à comunidade acadêmica da EESC não só o estudo e o desenvolvimento de tecnologia de ponta, como também o contato com o que há de mais destacado no mundo”.

A vinda de alunos estrangeiros

O processo intenso de internacionalização da EESC não se manifesta apenas em razão das partidas, mas também no movimento de chegada de estudantes estrangeiros. Em 2025, a Escola recebeu 41 alunos de graduação e, neste ano, outros 88 alunos, ou seja, mais que o dobro do registrado no ano anterior.

Um dos motivos que explica esse salto é a criação da disciplina “Estágio de Pesquisa em Engenharia”, especialmente desenvolvida para permitir que graduandos internacionais realizem pesquisas práticas diretamente nos laboratórios da EESC, sob a tutoria de professores da USP, em moldes semelhantes à Iniciação Científica. A maioria dos estudantes recebidos por essa via vem de universidades europeias.

Prof. Denis Vinicius Coury, presidente da CCNINT – Foto: SVCOM/EESC

Os cursos de graduação que mais receberam estudantes estrangeiros, neste ano, foram: Engenharia Aeronáutica (33 intercambistas) e Engenharia Mecânica (28), seguidas pelas Engenharias Civil (8) e Elétrica (7). Já na pós-graduação, lideraram a atração de pós-graduandos visitantes, em 2026, os programas de Engenharia Mecânica (20 intercambistas), Ciência e Engenharia de Materiais (9) e Engenharia Elétrica (8). 

“Promover o incoming e o outgoing é algo complexo e que envolve uma série de fatores. Quando observamos esses números, ficamos bastante satisfeitos porque evidenciam a qualidade de um trabalho que está consolidado. De um lado, as parcerias estratégicas e as condições oferecidas permitem que nossos docentes, alunos e pesquisadores possam participar de atividades em instituições mundo afora. Por outro, a credibilidade da EESC atrai visitantes e intercambistas de diversas nações que buscam aprendizado e troca de experiências”, destaca o Prof. Denis Vinicius Coury, presidente da Comissão de Cooperação Nacional e Internacional da EESC.

Exemplos que motivam

Apesar de os números representarem bem o nosso universo das Engenharias, boas histórias também ajudam a inspirar e servir como importante registro histórico desse movimento de internacionalização da EESC.

Uma dessas trajetórias transformadoras é do engenheiro de computação Marcus Vinicius Pietrucci, que realizou um programa de Duplo Diploma no Politecnico di Milano, na Itália, entre os anos de 2022 e 2024. Durante a estadia no exterior, Pietrucci aproveitou também para fazer estágio supervisionado. Ao retornar à EESC para concluir a graduação, já possuía uma oferta de trabalho na Europa e, logo após a formatura, mudou-se novamente para a Itália para dar início à carreira internacional.  ”Uma vez que você entra em contato com pessoas que têm modos de ver a vida e de viver tão diferentes dos seus, isso te faz amadurecer e te enriquece de modo permanente”, afirma o engenheiro, que também deixa um conselho para quem deseja fazer intercâmbio: “dedique-se a aprender o idioma local antes da viagem”. 

Para o estudante francês Maxence Desenclos, da INSA Hauts-de-France, mudar-se para um país onde não conhecia ninguém e mal falava o idioma representou um grande desafio. Ainda assim, decidiu sair da zona de conforto e realizar seu último ano da graduação em Engenharia na EESC-USP. “Antes de iniciar meu estágio de pesquisa, eu esperava trabalhar em um ambiente colaborativo e acolhedor, onde pudesse aprender rapidamente e adquirir uma sólida experiência prática. Até agora, essa experiência tem sido excelente. Tanto meu orientador quanto meus colegas são muito gentis e prestativos, e tenho aprendido muitíssimo todos os dias”, afirma.

Wesley, durante estágio acadêmico na Airbus Operations GmbH (Alemanha) – Arquivo pessoal

Outra trajetória marcante proporcionada pelas oportunidades de mobilidade internacional é a de Wesley Gonçalves da Silva, de 21 anos. Criado na periferia da cidade de São Paulo, e ex-aluno de escolas públicas, Wesley superou momentos de escassez e deficiências na formação básica para conquistar a aprovação em Engenharia Aeronáutica, no vestibular da Fuvest.

Durante a graduação, manteve um histórico acadêmico exemplar, cuja dedicação acadêmica rendeu a aprovação no programa de Duplo Diploma com o prestigiado Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa – instituição por onde passou o diplomata António Guterres -, onde realizou o Mestrado em Engenharia Aeroespacial entre setembro de 2022 e novembro de 2024. E sua trajetória não parou por aí. Impulsionado pela vivência internacional, Wesley conquistou por iniciativa própria um estágio acadêmico na área aeroespacial na Alemanha, atuando junto à Airbus Operations GmbH, em Hamburgo, no decorrer de 2025.

“Vindo de uma família de baixa renda, quero mostrar que podemos alcançar nossos sonhos com imaginação, suor e, é claro, muito lápis e borracha”, afirma o estudante. 

Na EESC, histórias como essas se somam e a cada ano reforçam o papel transformador desempenhado pela Escola como agente de mudança social Brasil afora, além da já reconhecida excelência acadêmica e científica que a marca há décadas.

Professora da EESC representa o Brasil em congresso internacional sobre formação de engenheiros, promovido na China.