{"id":10324,"date":"2019-09-03T12:36:51","date_gmt":"2019-09-03T15:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.eesc.usp.br\/comunicacao\/index.php\/2019\/09\/03\/agrotoxico-utilizado-contra-fungos-tambem-pode-matar-abelhas\/"},"modified":"2021-07-01T10:59:14","modified_gmt":"2021-07-01T13:59:14","slug":"agrotoxico-utilizado-contra-fungos-tambem-pode-matar-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/?p=10324","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xico utilizado contra fungos tamb\u00e9m pode matar abelhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Abelha-1-1-768x480.jpg\" alt=\"abelha\" width=\"536\" height=\"335\" \/><\/p>\n<p style=\"width: 530px; background-color: #f2f2f2; margin: -8px auto; padding: 3px; line-height: 1.5; font-size: 0.9em; font-style: italic; text-align: center;\">Abelhas tamb\u00e9m podem ser v\u00edtimas de fungicida. Foto: Pixabay<\/p>\n<p>Os resultados foram obtidos a partir do programa de computador desenvolvido por Jord\u00e3o Natal durante seu mestrado na USP. O sistema analisou, durante 10 dias, o comportamento de 200 abelhas contaminadas com o fungicida, o qual \u00e9 muito comum no combate a pragas de meloeiro e melancia. Elas foram colocadas junto a outras 800 abelhas saud\u00e1veis dentro de uma caixa cercada por vidros transparentes, onde c\u00e2meras registravam seus movimentos. Para diferenciar as abelhas saud\u00e1veis das contaminadas, uma marca com tinta foi feita nas costas das que ingeriram o agrot\u00f3xico. \u201cAt\u00e9 o d\u00e9cimo dia, 65% das abelhas contaminadas haviam morrido. J\u00e1 as que resistiram, tiveram seu comportamento alterado, aparentando estarem idosas, j\u00e1 que faziam atividades incompat\u00edveis com a idade, como tarefas de limpeza e a procura por alimentos\u201d, relata Natal, que teve sua pesquisa financiada pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES). Vale ressaltar que as abelhas vivem, em m\u00e9dia, 44 dias, ou seja, elas estariam morrendo antes de completarem um quarto de suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Abelhas-e-Computador-1024x320.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Clique aqui para aumentar a imagem\" src=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Abelhas-e-Computador-1024x320.jpg\" alt=\"colmeia\" width=\"536\" height=\"168\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"width: 530px; background-color: #f2f2f2; margin: -8px auto; padding: 3px; line-height: 1.5; text-align: justify; font-size: 0.9em; font-style: italic;\">Abelhas contaminadas foram monitoradas durante 10 dias por software desenvolvido na EESC. Na imagem \u00e0 direita, pequenos pontos mostram como as polinizadoras s\u00e3o enxergadas pelo computador. Foto: Jord\u00e3o Natal\/Divulga\u00e7\u00e3o (Clique para ampliar)<\/p>\n<p>Algo que ajudou o sistema a interpretar essa grande quantidade de dados ao final do per\u00edodo analisado foi a localiza\u00e7\u00e3o das abelhas contaminadas dentro da caixa. A posi\u00e7\u00e3o das polinizadoras tende a revelar em que fase da vida elas est\u00e3o, pois, conforme elas envelhecem, se aproximam das extremidades. \u201cO software foi capaz de monitorar as a\u00e7\u00f5es de cada uma das abelhas, o que \u00e9 uma tarefa \u00e9 muito dif\u00edcil, por serem animais de tamanho semelhante, que est\u00e3o quase sempre em movimento e se cruzando rapidamente\u201d, explica Carlos Maciel, professor do Departamento de Engenharia El\u00e9trica e de Computa\u00e7\u00e3o (SEL) da EESC e orientador da pesquisa. Apesar do desafio, o programa, que levou cerca de 10 meses para ser desenvolvido e captura at\u00e9 30 fotos por segundo, apresentou um \u00edndice de 99% de precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Contaminadas com doses n\u00e3o letais de cerconil no api\u00e1rio da UFV, as abelhas utilizadas no estudo s\u00e3o da esp\u00e9cie Apis mell\u00edfera, a mais comum do mundo. \u201cO que mais nos chocou foi descobrir que um fungicida at\u00e9 ent\u00e3o inofensivo para abelhas se mostrou mais t\u00f3xico que o imidaclopride, inseticida considerado o grande vil\u00e3o dos cultivos agr\u00edcolas. Os dados s\u00e3o preocupantes\u201d, afirma Eug\u00eanio de Oliveira, professor de entomologia da UFV. Apesar de ainda n\u00e3o haver um entendimento sobre o motivo de o fungicida ter levado as abelhas \u00e0 morte, o docente suspeita que o produto pode estar anulando os efeitos de enzimas respons\u00e1veis pela desintoxica\u00e7\u00e3o desses insetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Trajet\u00f3ria-Abelhas-768x389.jpg\" alt=\"trajetoria\" width=\"536\" height=\"271\" \/><\/p>\n<p style=\"width: 530px; background-color: #f2f2f2; margin: -8px auto; padding: 3px; line-height: 1.5; font-size: 0.9em; font-style: italic; text-align: center;\">Figura ilustra trajet\u00f3ria percorrida pelas abelhas dentro da caixa. Foto: Jord\u00e3o Natal\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>No trabalho, os pesquisadores tamb\u00e9m analisaram o comportamento de abelhas que ingeriram o imidaclopride. Derivado da nicotina, o produto normalmente \u00e9 aplicado em pomares, planta\u00e7\u00f5es de arroz, algod\u00e3o e batata e, embora seja proibido em diversos pa\u00edses, seu uso ainda \u00e9 permitido no Brasil. O software da USP mostrou que aproximadamente 52% das abelhas contaminadas com o agroqu\u00edmico estavam mortas no d\u00e9cimo dia.<\/p>\n<p>\u201cA extin\u00e7\u00e3o das abelhas \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o global, pois se trata de um problema que n\u00e3o afeta apenas o meio ambiente, mas tamb\u00e9m a economia. Elas participam de boa parte da poliniza\u00e7\u00e3o de nossos alimentos, alguns deles, inclusive, polinizados exclusivamente por elas\u201d, alerta Maciel, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador do <a href=\"http:\/\/www2.eesc.usp.br\/insac\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Sistemas Aut\u00f4nomos Cooperativos (InSAC)<\/a>, sediado no SEL. Segundo o estudo realizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (BPBES), em parceria com a Rede Brasileira de Intera\u00e7\u00f5es Planta-Polinizador (Rebipp), o valor do trabalho prestado pelos animais polinizadores \u00e0 agricultura brasileira gira em torno de R$ 43 bilh\u00f5es por ano. O levantamento considerou 67 cultivos, sendo que a soja, primeira colocada, responde por 60% do valor estimado, seguida pelo caf\u00e9 (12%), laranja (5%) e ma\u00e7\u00e3 (4%).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Carlos-e-Jord\u00e3o-1-768x512.jpg\" alt=\"pesquisadores\" width=\"536\" height=\"357\" \/><\/p>\n<p style=\"width: 530px; background-color: #f2f2f2; margin: -8px auto; padding: 3px; line-height: 1.5; text-align: justify; font-size: 0.9em; font-style: italic;\">Carlos Maciel (\u00e0 esquerda) e Jord\u00e3o Natal desenvolveram um sistema in\u00e9dito para monitorar o comportamento de animais que atuam de forma coletiva. Foto: Henrique Fontes\/SEL<\/p>\n<p>Com a nova tecnologia criada na EESC, a qual j\u00e1 est\u00e1 pronta para ser utilizada no mercado, a miss\u00e3o de compreender o comportamento de animais que atuam de forma coletiva se tornou mais simples, pois toda intera\u00e7\u00e3o entre esses organismos e o meio ambiente poder\u00e1 ser \u201censinada\u201d para o computador em forma de algoritmos. \u201cO que o sistema fez em semanas, n\u00f3s levar\u00edamos alguns anos para mensurar\u201d, comemora Eug\u00eanio. Combinando t\u00e9cnicas de intelig\u00eancia artificial e big data, o software desenvolvido conseguiu analisar dezenas de horas de v\u00eddeo, totalizando 700Gb de material. A partir de agora, os pesquisadores pretendem estudar o comportamento de abelhas contaminadas com outros tipos de agrot\u00f3xicos, a fim de ampliar o entendimento a respeito dos efeitos desses produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>[+] Informa\u00e7\u00e3oAssessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do SELTelefone: (16) 3373-8740E-mail: <a href=\"mailto:comunica.sel@usp.br\">comunica.sel@usp.br<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Henrique Fontes da <a href=\"http:\/\/www.sel.eesc.usp.br\/posgraduacao\/?p=8269\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do SEL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos (EESC) da USP, em parceria com cientistas da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), revelou que o cerconil, agrot\u00f3xico utilizado no Brasil para matar fungos, tamb\u00e9m pode ser letal para abelhas. O trabalho mostrou ainda que, mesmo aquelas que resistem inicialmente aos efeitos do produto qu\u00edmico, passam a se comportar como se estivessem mais velhas, indicando que n\u00e3o viver\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[55,37,163],"tags":[],"class_list":["post-10324","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao-imprensa","category-noticias","category-pesquisa","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10324"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16076,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324\/revisions\/16076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}