{"id":22902,"date":"2021-11-24T14:19:28","date_gmt":"2021-11-24T17:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/?p=22902"},"modified":"2022-08-16T07:59:39","modified_gmt":"2022-08-16T10:59:39","slug":"da-usp-sao-carlos-as-pesquisas-espaciais-a-trajetoria-de-quem-desenvolve-satelites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/?p=22902","title":{"rendered":"Da USP S\u00e3o Carlos \u00e0s pesquisas espaciais, a trajet\u00f3ria de quem desenvolve sat\u00e9lites"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-23112\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-1024x408.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-1024x408.jpg 1024w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-300x119.jpg 300w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-768x306.jpg 768w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-1536x612.jpg 1536w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite-1568x624.jpg 1568w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/equipeuscsateltite.jpg 1851w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>Dia 28 de fevereiro de 2021, \u00e0 1h54 (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia), o Centro de Lan\u00e7amento Satish Dhawan Space Centre, na \u00cdndia, lan\u00e7ava ao espa\u00e7o o Amazonia-1. Ele \u00e9 o primeiro sat\u00e9lite de observa\u00e7\u00e3o da Terra totalmente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil. O equipamento fornecer\u00e1 imagens para atender ao monitoramento da regi\u00e3o costeira, reservat\u00f3rios de \u00e1gua, desastres ambientais e estar\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica, \u00f3rg\u00e3os de governo e empresas.<\/p>\n<p>O sat\u00e9lite foi desenvolvido nos laborat\u00f3rios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI), o \u00f3rg\u00e3o foi criado em 1961 para realizar atividades e estudos desde a origem do Universo a aplica\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia, como nas quest\u00f5es de desflorestamento das matas. O instituto \u00e9 um centro de refer\u00eancia internacional em pesquisas de ci\u00eancias espaciais e atmosf\u00e9ricas, engenharia espacial, meteorologia, observa\u00e7\u00e3o da Terra por imagens de sat\u00e9lite e estudos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>S\u00e3o centenas de colaboradores que trabalham diariamente para expandir a capacidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica do Brasil, e muitos deles s\u00e3o formados na USP em diferentes \u00e1reas e unidades de ensino. Um grupo vem da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos (EESC) e do Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o (ICMC) de S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23144\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_satelite_amazonia2.png\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"435\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_satelite_amazonia2.png 456w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_satelite_amazonia2-300x286.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/p>\n<p>Eles acompanharam desde o desenvolvimento do primeiro sat\u00e9lite brasileiro lan\u00e7ado em 1993, o SCD1, ao \u00faltimo, o Amazonia-1. O Jornal da USP conversou com alguns desses profissionais para contar como \u00e9 trabalhar em um polo avan\u00e7ado de tecnologia e, principalmente, desenvolvendo sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>\u201cEm 1982, o governo brasileiro decidiu construir o primeiro sat\u00e9lite brasileiro. Lembro do aviso na USP em S\u00e3o Carlos recrutando profissionais. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia concurso, era an\u00e1lise de curr\u00edculo e entrevistas; foram contratados 250 engenheiros das melhores escolas do Pa\u00eds\u201d, lembra Jos\u00e9 S\u00e9rgio Almeida.<br \/>\nAmazonia-1, primeiro sat\u00e9lite projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Inpe<\/p>\n<p>Formado na EESC naquele ano, o engenheiro mec\u00e2nico estava no grupo e lembra que o ensino da \u00e1rea espacial era escasso, por isso foi necess\u00e1rio\u00a0capacitar os profissionais. Ele ficou um ano no Canad\u00e1 para participar de treinamento em montagem e teste de sat\u00e9lites. Esse seria o primeiro de muitos realizados em diferentes ag\u00eancias espaciais no mundo. Desde 1991, ele representa o Brasil em um grupo de trabalho internacional, coordenado pela Nasa, para discutir as situa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a nos testes de voos.<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1rea espacial \u00e9 muito delicada porque n\u00e3o se pode fazer recall se algo n\u00e3o der certo. Lan\u00e7ou o sat\u00e9lite e n\u00e3o tem como consert\u00e1-lo, o projeto precisa ser robusto com probabilidade de falha quase zero\u201d, explica o engenheiro Jos\u00e9 S\u00e9rgio. Os testes s\u00e3o fundamentais para que a chance de falha ocorra no laborat\u00f3rio e n\u00e3o no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Ele trabalha na \u00e1rea de teste de voo de sat\u00e9lite, que s\u00e3o c\u00e2meras de v\u00e1cuos que simulam a condi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. O teste ocorre com o sat\u00e9lite j\u00e1 montado antes do lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\n<strong>Engenharia de sat\u00e9lites<\/strong><\/p>\n<p>O Inpe participa do Programa Espacial Brasileiro desenvolvendo sat\u00e9lites. Eles s\u00e3o divididos em duas fam\u00edlias principais: a dos Sat\u00e9lites de Coletas de Dados, os SCDs, com 100% de tecnologia nacional; e a dos Sat\u00e9lites Sino-brasileiros de Recursos Terrestres, os CBERS, em coopera\u00e7\u00e3o com a China.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-23113\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-1024x367.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-1024x367.jpg 1024w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-300x107.jpg 300w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-768x275.jpg 768w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-1536x550.jpg 1536w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas-1568x562.jpg 1568w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/img_satelite_queimadas.jpg 1876w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites ajudam a monitorar o tempo e o clima no nosso Pa\u00eds. Eles coletam dados sobre a forma\u00e7\u00e3o de nuvens, luzes das cidades, queimadas, efeitos da polui\u00e7\u00e3o, tempestades de raios e poeira, limites das correntes oce\u00e2nicas etc. Os CBERS s\u00e3o mais voltados para o monitoramento do territ\u00f3rio, eles carregam c\u00e2meras que registram imagens com diferentes resolu\u00e7\u00f5es espaciais. O Amazonia-1, lan\u00e7ado neste ano, tamb\u00e9m \u00e9 para essa finalidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os nanossat\u00e9lites, que fazem parte do projeto de desenvolvimento de miss\u00f5es espaciais com foco cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico e educacional apoiados pelo MCTI e parceiros. Com padr\u00e3o CubeSat, eles s\u00e3o plataformas padronizadas mais baratas e acess\u00edveis e de r\u00e1pido desenvolvimento. No Brasil, suas aplica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido, principalmente, com foco em pesquisas e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos e operacionais.<\/p>\n<p>O \u00faltimo foi enviado em \u00f3rbita baixa pelo lan\u00e7ador russo Soyuz-2 em mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_22911\" aria-describedby=\"caption-attachment-22911\" style=\"width: 532px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22911 size-full\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_img_satelite1.webp\" alt=\"\" width=\"532\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_img_satelite1.webp 532w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_img_satelite1-300x169.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22911\" class=\"wp-caption-text\">Imagem da cidade do Rio de Janeiro captada pelo Amazonia-1<\/figcaption><\/figure>\n<p>Chamado de NanosatC-BR2, ele tem 1,72 kg de massa e vai monitorar no geoespa\u00e7o a intensidade do campo geomagn\u00e9tico e a precipita\u00e7\u00e3o de part\u00edculas energ\u00e9ticas ionizantes, al\u00e9m de qualificar no espa\u00e7o suas cargas \u00fateis tecnol\u00f3gicas. Seu desenvolvimento come\u00e7ou em 2014 e contou com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que concluiu seu mestrado em janeiro no Inpe, \u00e9 Danilo Pallamin de Almeida. Ele participou do projeto de 2018 at\u00e9 a integraliza\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite no final de 2020. E foi gra\u00e7as ao NanosatC-BR2 que o engenheiro conseguiu seu atual emprego. Ele trabalha com pequenos sat\u00e9lites na Endurosat, uma empresa instalada na Bulg\u00e1ria.<\/p>\n<p>Formado em Engenharia Mecatr\u00f4nica na EESC, em 2016, Danilo come\u00e7ou a se envolver com o mundo aeroespacial em casa. A paix\u00e3o do pai, Jos\u00e9 S\u00e9rgio Almeida, pela \u00e1rea espacial acabou influenciando o filho. Desde a escolha da universidade ao trabalho com sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>Ainda na gradua\u00e7\u00e3o, Danilo fez parte do Zenith, um grupo extracurricular que re\u00fane alunos da USP e da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) focados na constru\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites e sondas aeroespaciais. Al\u00e9m do Zenith, ele ainda fez inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Inpe, que acabou se tornando seu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso na USP.<\/p>\n<p>\u201cA Engenharia Mecatr\u00f4nica foi a melhor gradua\u00e7\u00e3o que eu poderia ter feito para trabalhar nessa \u00e1rea, porque vemos um pouco da mec\u00e2nica, eletr\u00f4nica e da computa\u00e7\u00e3o. E o sat\u00e9lite \u00e9 basicamente a integra\u00e7\u00e3o de tudo isso. Na Engenharia de Sistemas, que foi o meu mestrado e onde atuo hoje, vemos o projeto como um todo e suas interfaces. Eu sei onde buscar para ir mais a fundo nessas \u00e1reas, tenho a base para entender todas as partes do sat\u00e9lite\u201d, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22914\" aria-describedby=\"caption-attachment-22914\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_pesquisadores_inpe.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22914\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_pesquisadores_inpe.webp\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_pesquisadores_inpe.webp 1000w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_pesquisadores_inpe-300x151.webp 300w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/20210810_pesquisadores_inpe-768x386.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-22914\" class=\"wp-caption-text\">Equipe do Inpe que atuou no desenvolvimento do NanosatC-BR2 &#8211; Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quem orientou o Danilo tanto na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica quanto no mestrado foi a bacharel em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, F\u00e1tima Matiello. Ela \u00e9 egressa do Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o (ICMC) e tamb\u00e9m esteve \u00e0 frente do projeto NanosatC-BR2.<\/p>\n<p>\u201cMuitas universidades desejam fazer nanossat\u00e9lites em parceria com o Inpe para fazer integra\u00e7\u00e3o e testes. O NanosatC-BR2 foi como um estudo de caso para estabelecermos processos para isso\u201d, diz F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Ela entrou no Inpe para fazer mestrado em Telecomunica\u00e7\u00f5es e Sistemas Espaciais, logo ap\u00f3s se formar na USP em 1980. A escolha de trabalhar com pesquisa espacial veio um pouco pela influ\u00eancia de s\u00e9ries televisivas sobre o tema. Inicialmente, seu trabalho no Inpe estava relacionado com a opera\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites e controle, ficando muitos anos na divis\u00e3o de sistemas de solo. No doutorado, enveredou para sistemas embarcados e, hoje, est\u00e1 \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (Coepe) do Inpe.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 feito um sat\u00e9lite<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um sat\u00e9lite come\u00e7a com o planejamento. Ele ser\u00e1 desenhado de acordo com a miss\u00e3o de sua destina\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 composto de dois m\u00f3dulos que, geralmente, se dividem em duas grandes partes: o m\u00f3dulo de servi\u00e7o e o de carga \u00fatil. O primeiro \u00e9 o respons\u00e1vel pelo funcionamento do sat\u00e9lite e tem a bateria, computadores de bordo, entre outros. No de carga \u00fatil, s\u00e3o acoplados os subsistemas relacionados \u00e0 miss\u00e3o do sat\u00e9lite, como c\u00e2meras, experimentos, etc.<\/p>\n<p>O Amazonia-1, por exemplo, conta com geradores solares, sistemas de propuls\u00e3o, c\u00e2meras, antenas e um gravador digital de dados. Esses equipamentos s\u00e3o montados e testados. \u00c9 preciso simular todas as condi\u00e7\u00f5es que o sat\u00e9lite ir\u00e1 vivenciar no espa\u00e7o e prever eventualidades.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\u00a0<\/div>\n<p>Jos\u00e9 Pott se formou em Engenharia El\u00e9trica na EESC em 1987 e fez mestrado no Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC) da USP. H\u00e1 sete anos come\u00e7ou a trabalhar no Inpe. Ele atua em um setor em que ocorre a montagem, a integra\u00e7\u00e3o de todos os subsistemas e o funcionamento dos sat\u00e9lites. Ele \u00e9 respons\u00e1vel por alguns subsistemas: supervis\u00e3o de bordo, que \u00e9 o computador principal; equipamento que grava as imagens; controle t\u00e9rmico, que visa a manter o sat\u00e9lite dentro das faixas de temperatura.<\/p>\n<p>\u201cCada equipamento tem que estar em uma faixa de temperatura correta, \u00e0s vezes, o sat\u00e9lite est\u00e1 no sol, ou na sombra, ent\u00e3o ligamos aquecedores e desligamos de acordo com o momento onde ele est\u00e1\u201d, explica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-23136\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_pesquisadores_satelite4-1007x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"763\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_pesquisadores_satelite4-1007x1024.jpg 1007w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_pesquisadores_satelite4-295x300.jpg 295w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_pesquisadores_satelite4-768x781.jpg 768w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_pesquisadores_satelite4.jpg 1167w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>Outra fun\u00e7\u00e3o do engenheiro \u00e9 testar os sistemas em laborat\u00f3rio. Ele realiza tr\u00eas testes: de emerg\u00eancia, de lan\u00e7amento e de rotina. Os testes permitem antecipar eventuais problemas que possam ocorrer desde o momento do lan\u00e7amento do sat\u00e9lite, qualquer sistema que pare de funcionar, ou o uso di\u00e1rio do equipamento.<\/p>\n<p>Depois do lan\u00e7amento do sat\u00e9lite, outra equipe comanda os trabalhos, acompanhando os dados e a performance.<\/p>\n<p><strong>Conhe\u00e7a outros egressos da USP que atuam no Inpe<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-23114\" src=\"https:\/\/www.eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-1024x373.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-1024x373.jpg 1024w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-300x109.jpg 300w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-768x280.jpg 768w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-1536x560.jpg 1536w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos-1568x571.jpg 1568w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/qd_egressos.jpg 1691w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fernando Antonio Pessotta<\/strong><br \/>\nForam 37 anos dedicados ao Inpe, nem mesmo a aposentadoria em 2019 fez Fernando se afastar do instituto. Hoje, ele \u00e9 colaborador volunt\u00e1rio, um trabalho em que n\u00e3o recebe remunera\u00e7\u00e3o, mas dedica dois dias por semana para realizar estudos e pesquisas.<\/p>\n<p>Um cartaz recrutando profissionais da \u00e1rea de engenharia e computa\u00e7\u00e3o para atuarem no desenvolvimento do primeiro sat\u00e9lite brasileiro em 1982 foi o motivador para ingressar no Inpe. \u201cN\u00e3o tive d\u00favidas, me candidatei e, em mar\u00e7o de 1982, comecei a trabalhar no Inpe atuando no desenvolvimento de computadores para aplica\u00e7\u00f5es espaciais.\u201d<\/p>\n<p>Fernando participou do programa Miss\u00e3o Espacial Completa Brasileira (MECB), no qual desenvolveu computadores de bordo utilizados nos Sat\u00e9lites de Coleta de Dados (SCDs), os primeiros equipamentos criados no Brasil. Ele tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pelo sistema computacional e dos computadores do subsistema brasileiro encarregado dos comandos e tratamentos de dados dos sat\u00e9lites do China-Brazil Earth Resources Satellite (CBERS).<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m o respons\u00e1vel pelos contratos com a ind\u00fastria nacional para fabrica\u00e7\u00e3o dos computadores que equiparam os cinco primeiros sat\u00e9lites do programa.<\/p>\n<p><strong>Guilherme Venticinque<\/strong><\/p>\n<p>O Inpe tinha acabado de lan\u00e7ar com sucesso o primeiro sat\u00e9lite brasileiro, o SCD-1, em 1993, quando Guilherme se inscreveu para uma bolsa no Laborat\u00f3rio de Integra\u00e7\u00e3o e Testes (LIT) do instituto.<\/p>\n<p>A leitura de uma mat\u00e9ria sobre lan\u00e7amento do sat\u00e9lite o impressionou na \u00e9poca e, naquele momento, n\u00e3o poderia imaginar que estaria envolvido no desenvolvimento de muitos sat\u00e9lites do Inpe, como o SCD-2, CBERS-1, CBERS-2, CBERS-2B, CBERS-3, CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1.<\/p>\n<p>\u201cTodos eles foram importantes para minha carreira, mas, de todos, o que eu mais me engajei foi o \u00faltimo, o Amazonia-1, pois foram cinco anos de muito trabalho atuando como gerente de montagem, integra\u00e7\u00e3o e testes\u201d, conta o engenheiro que est\u00e1 h\u00e1 28 anos no LIT.<\/p>\n<p>Da \u00e9poca da faculdade, ele destaca que morar em S\u00e3o Carlos e estudar na USP foi marcante na sua vida e carreira profissional. \u201cO curso de Engenharia na EESC-USP me deu a base e vis\u00e3o da engenharia e a responsabilidade da nossa forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, o conv\u00edvio no campus de S\u00e3o Carlos era muito acolhedor e propiciava uma \u00f3tima experi\u00eancia e desenvolvimento pessoal. Fiz muitos amigos l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p><strong>Marco Antonio Pizarro<\/strong><\/p>\n<p>Marco atualmente est\u00e1 na Divis\u00e3o de Eletr\u00f4nica Espacial e Computa\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Engenharia, Tecnologia e Ci\u00eancia Espaciais do Inpe. Mas seu envolvimento com pesquisa e desenvolvimento espacial come\u00e7ou j\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o e ali se estabeleceria seu futuro profissional.<\/p>\n<p>\u201cForam as atividades desenvolvidas ao longo da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre os anos de 1980 a 1982 no Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos \u2013 USP, na \u00e1rea de eletro-\u00f3ptica, em paralelo com a gradua\u00e7\u00e3o\u201d, conta. No ano seguinte, ap\u00f3s se formar na USP, entrou no Inpe e participou da integra\u00e7\u00e3o e testes funcionais e ambientais dos sensores, subsistema do controle de atitude, para os tr\u00eas Sat\u00e9lites de Coleta de Dados (SCD1, SCD2 e SCD 3) para a Miss\u00e3o Espacial Completa Brasileira (MECB).<\/p>\n<p>O seu mais recente trabalho foi no projeto do sat\u00e9lite Amazonia-1, lan\u00e7ado em 28 fevereiro de 2021. Marco ficou respons\u00e1vel pelo m\u00f3dulo de carga \u00fatil da c\u00e2mera imageadora multiespectral Wide Field Imager (WFI) do sat\u00e9lite.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>H\u00e9rika Dias, do <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/\">Jornal da USP<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-alunos do campus da USP no interior contam como \u00e9 trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, um centro de refer\u00eancia internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[55,37,163],"tags":[],"class_list":["post-22902","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao-imprensa","category-noticias","category-pesquisa","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22902"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22902\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23145,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22902\/revisions\/23145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}