{"id":35454,"date":"2023-08-08T14:30:41","date_gmt":"2023-08-08T17:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/?p=35454"},"modified":"2024-03-03T19:39:59","modified_gmt":"2024-03-03T22:39:59","slug":"uso-industrial-da-nanocelulose-impulsiona-estudos-ao-redor-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/?p=35454","title":{"rendered":"Uso industrial da nanocelulose impulsiona estudos ao redor do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"texto-noticia\">\n<figure id=\"attachment_35455\" aria-describedby=\"caption-attachment-35455\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-35455 size-large\" src=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose-912x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"842\" srcset=\"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose-912x1024.jpg 912w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose-267x300.jpg 267w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose-768x863.jpg 768w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose-1368x1536.jpg 1368w, https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/article-nanocelulose.jpg 1519w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-35455\" class=\"wp-caption-text\">Nanocristais de celulose extra\u00eddos da palha da cana-de-a\u00e7\u00facar, um dos estudos que fazem parte do IV Workshop Brasileiro de Nanocelulose. (Cr\u00e9dito: Joana Silva &#8211; Embrapa)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>\u00c9 o que demonstra estudos contemplados no <a href=\"https:\/\/www.nanocellulose.ufscar.br\/info\/registration\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IV Workshop Brasileiro de Nanocelulose<\/a> que ser\u00e1 realizado entre quarta (9) e sexta-feira (11), na Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o (S\u00e3o Carlos\/SP). A relev\u00e2ncia deste nanomaterial, cobi\u00e7ado mundialmente tanto pela ind\u00fastria como pela academia, motivou a participa\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos de mais 250 institui\u00e7\u00f5es, de pelo menos tr\u00eas continentes. Especialistas de centros de pesquisas do Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Finl\u00e2ndia, entre outros, estar\u00e3o reunidos para discutir os avan\u00e7os e desafios da aplica\u00e7\u00e3o industrial da nanocelulose durante os tr\u00eas dias de eventos.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 promover a integra\u00e7\u00e3o entre a comunidade acad\u00eamica e industrial atuante em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de nanocelulose. O evento \u00e9 coorganizado pela Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, que atua no tema desde 2007.<\/p>\n<p>O professor Caio Otoni, da UFSCar,\u00a0um dos organizadores do workshop, adianta que uma das novidades desta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o \u201cMeet the Editors&#8221;, que permitir\u00e1 aos participantes interagir com editores das principais revistas cient\u00edficas da \u00e1rea, como a Cellulose, publicada pela Springer Nature, e a Royal Society of Chemistry, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o de diversos peri\u00f3dicos.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A nanocelulose vem atraindo aten\u00e7\u00e3o do mundo todo por sua versatilidade de uso e uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de propriedades f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas. Semelhante a gr\u00e3os de arroz, no formato de nanocristais, mas 200 mil vezes menor, o material, ao ser adicionado, contribui para propriedades com excelente resist\u00eancia mec\u00e2nica, sem prejudicar a leveza e a biodegradabilidade.<\/p>\n<p>O campo de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 vasto, pode incluir o mercado de cimento e comp\u00f3sitos, t\u00eaxteis e n\u00e3o tecidos, papel e embalagens, produtos aliment\u00edcios, cosm\u00e9ticos e produtos de higiene pessoal, materiais de filtros, entre outros.<\/p>\n<p>Por tamanha diversidade, o mercado global de nanocelulose \u00e9 projetado por empresas de consultorias internacionais em US$ 2 bilh\u00f5es at\u00e9 2030. A Europa se destaca como o maior mercado de nanocelulose e tamb\u00e9m o de mais r\u00e1pido crescimento.<\/p>\n<p>Pesquisas em muitos dos campos nos quais a nanocelulose pode ser aplicada poder\u00e3o ser conferidas no IV Workshop Brasileiro de Nanocelulose. Dos 150 inscritos, 86 v\u00e3o publicar trabalhos que est\u00e3o sendo desenvolvidos por quase 260 institui\u00e7\u00f5es do Brasil e do exterior. Pelo menos 50 destes trabalhos ser\u00e3o apresentados na forma de pitch \u2013 apresenta\u00e7\u00e3o curta &#8211; por estudantes e pesquisadores.<\/p>\n<p>A pesquisadora Henriette Azeredo, coordenadora do evento por parte da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, diz que um dos trabalhos contemplados aborda o uso de nanomateriais de celulose de palha de cana-de-a\u00e7\u00facar para agregar valor a diferentes aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra 20022\/2023 em quase 600 milh\u00f5es de toneladas de cana-de-a\u00e7\u00facar, o que pode gerar uma quantidade significativa de subprodutos, como a palha da cana que tem alto teor de celulose. A convers\u00e3o da palha em nanocelulose pode ser uma alternativa promissora para agregar valor a esse fluxo secund\u00e1rio. O estudo est\u00e1 sendo desenvolvido em parceria entre a Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o e a UFSCar.<\/p>\n<p><strong>Diversidade<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos trabalhos de estudantes de diversos n\u00edveis de escolaridade, palestrantes de cinco institui\u00e7\u00f5es brasileiras v\u00e3o abordar temas que envolvem pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00f5es de nanocelulose em diferentes campos.<\/p>\n<p>O professor Andr\u00e9 R. Fajardo, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rio Grande do Sul, vai falar de celulose e outros polissacar\u00eddeos como plataforma vers\u00e1til para design de materiais, enquanto a professora Rosiane Cunha da Unicamp (Campinas \u2013 SP), vai discutir a modula\u00e7\u00e3o da digest\u00e3o pela aplica\u00e7\u00e3o de nanocelulose para estabilizar emuls\u00f5es de Pickering.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00f5es de nanofibrilas de celulose em diferentes contextos ficar\u00e3o com o professor Gustavo Henrique Denzin Tonoli, da Universidade Federal de Lavras (Lavras \u2013 MG). O professor Holmer Savastano Jr, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), vai abordar os desafios e conquistas de nanofibras lignocelul\u00f3sicas em materiais ciment\u00edcios.<\/p>\n<p>J\u00e1 a professora Juliana Bernardes, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP) pretende contar como a lignina adere \u00e0 celulose baseando-se em evid\u00eancias experimentais e de aprendizado de m\u00e1quina e simula\u00e7\u00f5es de din\u00e2mica molecular.<\/p>\n<p>As contribui\u00e7\u00f5es internacionais v\u00e3o ficar por conta de palestrantes de\u00a0institui\u00e7\u00f5es de tr\u00eas pa\u00edses: o Canad\u00e1, a Finl\u00e2ndia e a Fran\u00e7a. O professor Orlando Rojas,\u00a0do Instituto de Bioprodutos, da Universidade da Columbia Brit\u00e2nica (UBC), em Vancouver, Canad\u00e1, vai apresentar estudos de caso sobre o nexo entre nanocelulose, \u00e1gua e energia.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da nanocelulose como adesivo estrutural em materiais e sistemas superestruturados ser\u00e1 abordada pelo pesquisador Bruno D. Mattos, da Universidade Aalto, Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>J\u00e1 a professora Tatiana Budtova, da Universidade Mines ParisTech, associada ao Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica (CNRS, na sigla em franc\u00eas), na Fran\u00e7a, vai tra\u00e7ar um panorama da estrutura, propriedades e aplica\u00e7\u00f5es dos aerog\u00e9is de celulose II, incluindo uma discuss\u00e3o dos problemas atuais e perspectivas.<\/p>\n<p>O professor\u00a0Michael KC Tam, do Instituto de Nanotecnologia da Universidade de Waterloo, no Canad\u00e1,\u00a0vai abordar as estrat\u00e9gias de funcionaliza\u00e7\u00e3o dos nanocristais de celulose (CNC) para conferir propriedades atrativas cr\u00edticas nas aplica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, vai exemplificar as v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es derivadas da transforma\u00e7\u00e3o de nanomateriais sustent\u00e1veis em plataformas que atendem a alguns dos requisitos e desafios do mercado. Os exemplos incluem tratamento de \u00e1guas residuais, sistema antimicrobiano, tintas e cargas condutoras, agricultura e coleta de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong><\/p>\n<p>A celulose \u00e9 uma mol\u00e9cula presente em v\u00e1rios organismos, predominantemente em plantas, e sua forma nanoestruturada pode se dar em nanofibrilas (CNFs) ou nanocristais (CNCs).<\/p>\n<p>As CNFs t\u00eam forma de espaguete, mais flex\u00edveis, enquanto os CNCs s\u00e3o similares a gr\u00e3os de arroz e de estrutura mais cristalina de escala nanom\u00e9trica. Ambas podem ser isoladas de qualquer fibra vegetal. Entre elas est\u00e3o cascas de coco e de arroz, algod\u00e3o, eucalipto, e at\u00e9 de res\u00edduos como madeira de reflorestamento descartada pela ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Para o professor\u00a0Antonio Jos\u00e9 F\u00e9lix de Carvalho, da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos\/USP,\u00a0um dos coordenadores do evento, a celulose no formato nanofibrilada est\u00e1 em evid\u00eancia e j\u00e1 \u00e9 produzida por diversas empresas em escala piloto.<\/p>\n<p>\u201cEsse material tem grande potencial para aplica\u00e7\u00f5es diversas na substitui\u00e7\u00e3o de diversos materiais convencionais tais como os pl\u00e1sticos sint\u00e9ticos e pesquisas t\u00eam sido realizadas em diversas \u00e1reas, desde eletr\u00f4nica, passando por embalagens e aplica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria automobil\u00edstica, entre outras\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, a produ\u00e7\u00e3o anual global de biomassa supera os estoques comprovados de petr\u00f3leo, devendo ser considerado estrat\u00e9gico o desenvolvimento de novos materiais a partir da celulose. O professor lembra que o Brasil \u00e9 o maior produtor mundial de celulose de eucalipto e ainda disp\u00f5e\u00a0de um grande estoque de celulose que n\u00e3o \u00e9 aproveitada da cana-de-a\u00e7\u00facar, cuja ind\u00fastria \u00e9 tamb\u00e9m uma das maiores do mundo.<\/p>\n<p>\u201cEssas duas culturas d\u00e3o uma dimens\u00e3o da relev\u00e2ncia que a celulose deveria ter para o Brasil e demonstram a import\u00e2ncia que as nanoceluloses ter\u00e3o no futuro internamente\u201d, avalia. Carvalho diz que pa\u00edses com potencial muito menor de produ\u00e7\u00e3o da celulose t\u00eam despendido grandes esfor\u00e7os no desenvolvimento estrat\u00e9gico de alternativas ao petr\u00f3leo como fonte, ou seja, de mat\u00e9ria-prima b\u00e1sica, \u201cUm dos novos materiais que tem tido grande aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o as nanoceluloses\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Henriette Azeredo, Caio Otoni, e Antonio Carvalho, coordenadores, o evento tem o apoio de Luiz Mattoso, da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, e Watson Loh, da Universidade de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"unidade\">\n<p class=\"autor\" style=\"text-align: right;\"><em><span class=\"autor negrito\">Por Joana Silva, da <\/span><span class=\"unidade\">Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nCom o apoio da EESC-USP e da UFSCar<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema ser\u00e1 abordado no IV Workshop Brasileiro de Nanocelulose, que acontecer\u00e1 a partir desta quarta-feira (9), na Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35478,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[37,201],"tags":[],"class_list":["post-35454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-destaque-box","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35454"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35481,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35454\/revisions\/35481"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/35478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eesc.usp.br\/comunicacao-admin\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}