Um trabalho desenvolvido na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) ganhou a categoria mestrado no 10º Prêmio Nacional Cátedra Abertis em Mobilidade Sustentável, como uma das melhores teses defendidas no ano de 2024 e 2025, apresentadas em Programas de Pós-graduação de Universidades Brasileiras. A dissertação, de autoria de Ruy Santos Ribeiro, intitulada “Study of modifications in signs and pavement color through driver behavior: an analysis based on driver simulator and pupillometry”, abordou como diferentes tipos de sinalização rodoviária podem auxiliar os motoristas a perceber situações de risco com maior antecedência em rodovias de serra, onde curvas acentuadas, neblina, chuva e mudanças nas condições do pavimento podem aumentar o risco de acidentes.
A pesquisa premiada foi desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Ana Paula Camargo Larocca, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da EESC. “Ela surgiu da necessidade de investigar soluções relativamente simples e de baixo custo que possam tornar a comunicação entre a rodovia e o motorista mais eficiente e, consequentemente, contribuir para a redução de acidentes”, explica Ana Paula.
Foram avaliados dispositivos como placas na cor fluorescente lima-limão, placas de contagem regressiva instaladas antes das curvas e faixas transversais pintadas no pavimento. O estudo utilizou um simulador de direção e contou com a participação de 120 voluntários. Também foram empregadas tecnologias de rastreamento do olhar e pupilometria, permitindo avaliar não apenas o comportamento de condução, mas também quais elementos da sinalização efetivamente atraíam a atenção dos motoristas.
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“Os resultados mostraram que as faixas transversais foram percebidas por cerca de 80% a 90% dos participantes e que as placas de contagem regressiva alcançaram índices de percepção de até 90%. A sinalização fluorescente também apresentou resultados importantes ao aumentar a visibilidade dos avisos relacionados à chuva, neblina e pista escorregadia. Esses dados são relevantes porque, quanto mais cedo o motorista identifica uma situação de risco, maior é o tempo disponível para reduzir a velocidade, ajustar sua condução e tomar decisões mais seguras, fomentando concessionárias de rodovias, órgãos públicos e gestores de infraestrutura com informações para a adoção de soluções capazes de melhorar a segurança viária, reduzir a ocorrência e a gravidade dos acidentes e, principalmente, salvar vidas”, ressalta a orientadora. |
Pela conquista, o autor do trabalho receberá um troféu, um certificado e um prêmio em dinheiro de mil euros, prêmios que serão entregues em um evento promovido pela USP e ARTERIS S.A., empresa especializada em gestão de rodovias, que possui como um de seus acionistas o Grupo Abertis, no próximo dia 2 de setembro.
Para Ana Paula, a premiação representa uma oportunidade importante de dar visibilidade a uma pesquisa com forte aplicação prática e potencial de impacto direto na segurança viária. “Além do reconhecimento científico, iniciativas como o Prêmio Abertis aproximam a universidade da sociedade e valorizam pesquisas capazes de contribuir para a redução de acidentes e para a melhoria da infraestrutura e da segurança das rodovias brasileiras”.
A orientadora reforça que “essa conquista reconhece um trabalho coletivo, envolvendo aluno, orientação, demais integrantes do meu grupo de pesquisa, colaboradores e todo o ambiente da EESC, que reúne formação acadêmica de excelência, infraestrutura de pesquisa e forte interação com problemas reais da engenharia e da sociedade. É importante destacar ainda que a formação do Ruy dentro desse ambiente de pesquisa permitiu que o trabalho desenvolvido durante o mestrado tivesse continuidade científica, contribuindo para novas investigações e para o fortalecimento de uma linha de pesquisa em comportamento do condutor e segurança viária na universidade”.
O prêmio não fechará o ciclo do trabalho, que deve ter sequência. Os próximos passos envolvem ampliar as pesquisas para diferentes tipos de rodovias e situações de condução, além de avaliar novas configurações de sinalização, sempre com o objetivo de aumentar a percepção do risco pelos condutores.
O grupo também pretende aprofundar os estudos sobre comportamento do condutor, combinando experimentos em simulador de direção equipado com sistema de rastreamento do olhar, com dados de coleta naturalística de condução, câmeras de monitoramento de rodovias e técnicas de inteligência artificial. O objetivo maior é aproximar ciência e prática, transformando os resultados das pesquisas em soluções efetivas para prevenir acidentes e, principalmente, reduzir o número de lesões e mortes no trânsito.

“A segurança viária é um desafio coletivo e multidisciplinar. Nosso objetivo é que esse movimento de pesquisa contribua para a consolidação de um Centro de Segurança Viária e Veicular na EESC, capaz de integrar pesquisa, inovação, formação de profissionais e cooperação com governos, concessionárias e empresas, ampliando o impacto científico e social das pesquisas desenvolvidas na Universidade e contribuindo para um dos maiores desafios da mobilidade contemporânea: reduzir o número de mortes e lesões no trânsito”, conclui a docente.

