
Entre os dias 3 e 7 de agosto de 2026, o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU-USP), em parceria com a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizou a atividade extensionista (AEX) vinculada ao projeto “Cidade que Educa”, reunindo estudantes e docentes de diversas áreas para desenvolver propostas inovadoras voltadas à mobilidade ativa e sustentável na cidade de São Carlos.
Com uma abordagem interdisciplinar, a atividade atuou como um ateliê integrado onde graduandos de áreas como Arquitetura, Engenharia, Computação e Matemática trabalharam em conjunto. O objetivo foi elaborar diagnósticos e propor soluções urbanas para a concepção de uma ciclovia que otimize a rota de ligação entre os campi universitários (Área 1 do Campus da USP e a UFSCar), priorizando a segurança de pedestres e ciclistas e a melhoria das condições do percurso.
Programação e Metodologia de Trabalho
Ao longo da semana, foram realizadas pesquisas de campo e palestras teóricas, além de diálogos com gestores públicos municipais, especialistas em planejamento, infraestrutura, acessibilidade e com grupos locais de ciclismo urbano. Os alunos também dedicaram uma manhã para fazer o percurso a pé e de bicicleta entre os campi. No período da tarde, os grupos realizaram os estudos e análises técnicas de trechos críticos, incluindo as rotatórias de acesso à UFSCar e à Área 1 do Campus da USP em São Carlos, propondo intervenções urbanas de baixo custo, melhorias viárias e Soluções Baseadas na Natureza (SBN).






A programação contou com uma série de palestras: no primeiro dia, os secretários municipais Leonardo Lazaro Silva e Michael Yabuki apresentaram as perspectivas do poder público sobre infraestrutura e o sistema cicloviário local, seguidos pelos professores Antônio Nélson Rodrigues da Silva, vice-diretor da EESC, e André Teófilo Beck, do Departamento de Engenharia de Estruturas, que abordaram conceitos de mobilidade urbana e mobilidade ativa. Os pesquisadores Lia Casare Alves, Sandra Soledad Troncoso Robles e Everton Douglas da Silva trouxeram reflexões sobre as interfaces entre gênero, ciclismo e universidades e ciclismo consciente, enquanto Cristiane Kröhling Pinheiro Borges Bernardi abordou os desafios da mobilidade urbana. O professor André Luiz Cunha abordou o tema coleta de dados online; a professora Carolina Akemi Martins Morita Nakahara palestrou sobre táticas e desenho urbano, e a apresentação da professora Renata Bovo Peres, do Departamento de Ciências Ambientais da UFSCar, teve como foco Soluções Baseadas na Natureza.
A iniciativa é coordenada pela professora Amanda Saba Ruggiero do IAU-USP, com a colaboração uma equipe multidisciplinar de docentes da EESC e da UFSCar. Pelo IAU-USP, além da professora Amanda, também integra a coordenação a professora Carolina Akemi Martins Morita Nakahara. O projeto também conta com a participação da professora Renata Bovo Peres (UFSCar) e com a colaboração das pós-doutorandas do IAU, Fabiane Carneiro e Fernanda Nóbrega. Representando a EESC-USP, participam os professores Daniel Capaldo Amaral e Aldo Roberto Ometto, do Departamento de Engenharia de Produção; já o Departamento de Engenharia de Transportes foi representado pelos professores André Luiz Cunha e Antônio Nélson Rodrigues da Silva na área de mobilidade urbana.
Para Cunha, a troca entre as áreas foi o ponto alto da semana. “O mais interessante foi juntar EESC, IAU e UFSCar, com alunos de vários cursos conversando entre si. No fundo, todos somos pedestres, e, alguns, ciclistas – então essa discussão interessa a todos. Também tivemos a oportunidade de integrar várias técnicas em um mesmo projeto: um trabalha mais com os dados, outro com o projeto, outro com soluções da natureza. Como mostramos nas palestras, desenhar uma linha no mapa e dizer que a ciclovia vai passar ali é fácil; difícil é saber se funciona na prática. Por isso, foi tão importante ter o ciclista com a gente. Ele olhou e falou: ‘aqui o aclive é bem pesado, eu não subiria por essa rua, cansa demais. Não é melhor cortar o caminho por ali, atravessar a praça e sair na outra rua?’ É esse tipo de detalhe que ajuda a delimitar o traçado e a propor uma solução que as pessoas realmente vão usar”.
No dia 7 de agosto, os estudantes apresentaram as propostas elaboradas em uma sessão para debate e compartilhamento das ideias construídas ao longo da atividade.
Mais do que a entrega de projetos técnicos, a AEX funciona como um manifesto colaborativo e um canal de diálogo com a comunidade e o poder público, imaginando caminhos mais acessíveis para pedestres e ciclistas da cidade de São Carlos.
“Queremos que os alunos discutam e pensem possibilidades. Estamos fazendo esse exercício de imaginar uma outra cidade, uma outra realidade, independente das condições e recursos, mas pensando em soluções que são factíveis e viáveis. Mas não limitadas, nem necessariamente ao projeto que a Prefeitura está querendo implantar. Claro que ele é um guia, um norte, mas pensamos em explorar propostas diferentes: a ideia é a gente criar um ponto de diálogo com todos”, explica a professora Amanda.
As propostas podem, inclusive, servir de base para a revisão do Plano Diretor Municipal, que está ocorrendo neste ano, buscando valorizar a mobilidade ativa nas políticas públicas de São Carlos.




