Pesquisas desenvolvidas na EESC são pioneiras na reutilização de madeira
Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveram novas técnicas que permitem produzir painéis aglomerados utilizando resíduos de madeira como matéria prima. 
28/09/2012|Atualizado: 05/12/2012
Da Redação | SVCOM
28/09/2012|Atualizado: 05/12/2012 Da Redação | SVCOM

 

Pioneiro no Brasil, o método possibilita resultados positivos para a indústria, para a construção civil e principalmente para o meio ambiente.

 

“Quando uma árvore é processada, em média apenas 40% de sua constituição são realmente utilizados. Em função disso, tudo que sobra em forma de serragem, maravalha, pedaços de viga entre outros é o que chamamos de rejeito ou resíduo. Seu volume é imenso” explica o professor Francisco Antonio Rocco Lahr, orientador de duas pesquisas complementares sobre o tema.

 

Em uma delas, o pesquisador Luciano Donizete Varanda avaliou o desempenho de painéis criados com a mistura de partículas de Eucalyptus grandis com a adição de casca de aveia que, em virtude de suas características, não se decompõe facilmente. “O Brasil é um dos poucos países do mundo que faz chapas de partículas a partir de árvores plantadas especialmente para esta finalidade. Os países do chamado primeiro mundo, fazem estes painéis, todos de reaproveitamento de madeira”, apontou Varanda.

 

No outro estudo, o doutorando Amós Magalhães de Souza avaliou o desempenho de painéis produzidos a partir de partículas orientadas de Pinus sp com a inclusão de telas metálicas. Esse material é chamado no mercado de OSB - sigla em inglês para Oriented Strand Board, e foi criado nos anos 70 nos Estados Unidos para substituir outro tipo de painel, conhecido no Brasil como compensado.

 

De acordo com Souza, esse produto é muito utilizado fora do país na construção civil, geralmente aplicado na construção de paredes, pisos, vigas, telhados entre outros. “No Brasil, esse tipo de painel tem um enfoque diferente, o que demonstra até certo desconhecimento de suas propriedades” afirmou.

 

Outro diferencial das duas pesquisas foi a utilização, na produção dos painéis, de uma resina à base de óleo de mamona. O material (desenvolvido no Instituto de Química de São Carlos) vem de um recurso renovável e não agride o meio ambiente.  “Nos experimentos, utilizamos resíduos de madeira da caatinga, do nordeste do Brasil, Pinus e a resina de óleo de mamona, em substituição a resina de ureia-formaldeído, que é mais poluente” completou Souza.

 

Os estudos demonstraram que, em comparação a produtos feitos com madeira comum, o painel apresentou alto índice de resistência e elasticidade, atingindo quase o dobro do exigido pelas normas de qualidade adotadas fora do Brasil. Outro dado importante é o baixo custo de produção, devido à utilização de material alternativo. “O nosso objetivo com esses experimentos foi buscar uma aplicação para substratos abundantes na indústria que, até então, não tinham utilidade. Isso significa agregar valor a um produto que já foi utilizado ou aos resíduos que foram gerados pela própria indústria” afirmou o professor Rocco.

 

As duas pesquisas foram desenvolvidas no Programa de Pós-graduação Interunidades em Ciências e Engenharia de Materiais da USP em São Carlos.

 

 

 


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