Na COP30, estudo do CRHEA e Fapesp fomenta transição justa e bioeconomia social
Durante a COP30 em Belém (PA), o Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais (CRHEA) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP apresentou um novo estudo sobre compensação de impactos ambientais dos reservatórios tropicais por restauração florestal. O estudo é uma parceria da EESC com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e University of Twente do projeto OUR EYES (glObal changes and sUstainable development with waterR-EnergY viability and Economic Solvency) financiado pela Fapesp e a Facepe (Fundação de Apoio à Pesquisa de Pernambuco). O estudo contou também com apoio de outro projeto Fapesp: DREAMS (flash DRought Event evolution chAracteristics and the response Mechanism to climate change considering the Spatial correlations), e vinculado aos CEPIDs da Fapesp, CLIMARES/IIE/USP e CBioClima/IB-RC.

Publicado na revista Blue-Green Systems, o estudo mostra como os reservatórios brasileiros, incluindo o do Lobo/Broa junto ao CRHEA, são propulsores da restauração ecológica e ação climática. O estudo avalia cenários de mudança de uso do solo (Figura 1) e futuros projetados por INCTs do CNPq e da Fapesp: Mudanças Climáticas Fase do Cemaden/MCTI e Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa da UFPE. "O estudo traz alternativas viáveis para as transições justas, ação climática e nova bioeconomia em torno dos reservatórios tropicais, que fundamentam estratégias globais, por exemplo, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF em inglês), Meta Global de Adaptação (GGA, em inglês) e Balanço Ético Global (GES, em inglês), dentre outros", explica o professor Mario Mendiondo, diretor do CRHEA, coordenador da pesquisa pela Fapesp e quem o apresentou durante a COP30.
Alcance nacional e internacional
Na COP30 de Belém, o estudo foi apresentado, primeiro, na Mesa Redonda de gestão hídrica e extremos climáticos da "Casa da Ciência" sob a coordenação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Governo Federal (Figura 2). Depois, o estudo foi re-apresentado na sessão técnica internacional da Blue Zone da COP30 intitulada Colaboração em Ação: Parcerias Internacionais de Pesquisa como Catalisador para Soluções Climáticas Sistêmicas do pavilhão Ensino Superior para Ação Climática. Este último é uma cooperação do projeto vigente do USP AUCANI, entre o BISCA-University of Birmingham e o CRHEA da EESC-USP sobre o nexo de água-saúde-sociedade iniciado em em 2025 e aprovado pelo Conselho Deliberativo do CRHEA em 2025.

Fortalecido com a renovação do acordo University of Twente - USP, o estudo do apoiado pela Fapesp trouxe novos olhares além do simples diagnóstico ambiental ou da cenarização futura. “Para fortalecer os Planos de Adaptação locais, o novo olhar adotado no artigo foi a partir da Saúde Planetária, via estratégia “SOPHIE” (“Sustainable Observatories for Planetary Health with Innovation and Entrepreneurship”) apresentada junto à CPq&I da EESC em 2024. Portanto, houve um cuidado de converter o problema (a geração de gases de efeito estufa dos reservatórios) em soluções e oportunidades de emprego com ações concretas e viáveis aos municípios vizinhos aos reservatórios”, afirma Mendiondo.
Ação local e olhar global da bioeconomia social e tropical
O estudo abre caminhos alternativos para novas métricas, mecanismos de financiamento, desenvolvimento de novos mercados e uma bioeconomia mais social. Isto é, integrando aspectos sociais, culturais e baseadas em valores das comunidades locais, especialmente comunidades vulneráveis, povos originários e grupos pouco representados. Além disso, o estudo contribui à diminuição da chamada "injustiça climática", fomenta ações de transição energética justa e inclusiva e fortalece com exemplos práticos, para os vários instrumentos de C&T&I em torno da bioeconomia. Especialmente, o estudo direciona soluções integrando marcos da leis federais: Lei 9.433 (Recursos Hídricos), Lei 12.334 (Política Nacional de Segurança de Barragens), Lei 13.123 (Lei da Biodiversidade), Lei 13.243 (Marco legal de Ciência, Tecnologia e Inovação) e Lei 14.119 (Pagamento por Serviços Ambientais). "Embora nosso marco legal seja um dos mais completos no mundo, ainda ele carece de exemplos práticos que articulem esses instrumentos para melhorar o dia-a-dia do cidadão e do município ”, afirma o professor Mario Mendiondo.
Popularização científica, E-book gratuito e Curricularização da Extensão
A apresentação do estudo do CRHEA apoiado pela Fapesp é complementar à obra lançada pelo MCTI na COP30 de "Mudanças climáticas no Brasil: estado da arte e fronteiras do conhecimento", na qual a EESC-USP participa coautorando o capítulo O Papel Central da Água na Resiliência e Adaptação às Mudanças, publicado em formato e-book no catálogo digital da Editora Ibict, com acesso à obra na íntegra e pelos seus capítulos através do Digital Object Identifier (DOI) para cada capítulo. A obra pode ser consultada e divulgada a partir do endereço: "Mudanças climáticas no Brasil: estado da arte e fronteiras do conhecimento", via acesso Editora Ibict. Este material começará a ser usado para orientar novas atividades pedagógicas e de curricularização da extensão em disciplinas ministradas pela EESC.

Fonte: CRHEA EESC-USP