Na COP30, estudo do CRHEA e Fapesp fomenta transição justa e bioeconomia social
A pesquisa mostra como os reservatórios brasileiros, - incluindo o do Lobo/Broa, junto ao CRHEA - são propulsores da restauração ecológica e ação climática.
05/12/2025
Da Redação | SVCOM
05/12/2025 Da Redação | SVCOM

Durante a COP30 em Belém (PA), o Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais (CRHEA) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP apresentou um novo estudo sobre compensação de impactos ambientais ​​dos reservatórios tropicais por restauração florestal. O estudo é uma parceria da EESC com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),  Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e University of Twente do projeto OUR EYES (glObal changes and sUstainable development with waterR-EnergY viability and Economic Solvency) financiado pela Fapesp e a Facepe (Fundação de Apoio à Pesquisa de Pernambuco). O estudo contou também com apoio de outro projeto Fapesp: DREAMS (flash DRought Event evolution chAracteristics and the response Mechanism to climate change considering the Spatial correlations), e vinculado aos CEPIDs da Fapesp, CLIMARES/IIE/USP e CBioClima/IB-RC.

Figura 1. Mudanças do uso do solo no CRHEA EESC USP, Itirapina-SP, entre 1983 (esquerda) e 2025 (direita). Fontes: Acervo histórico do CRHEA com ABRH (hoje ABRHidro), e levantamentos Fapesp 22/07521-5 e Fapesp 2023/14179-4 (G. Marinho e Silva, doutorando Fapesp no PPGSHS da EESC-USP).

Publicado na revista Blue-Green Systems, o estudo mostra como os reservatórios brasileiros, incluindo o do Lobo/Broa junto ao CRHEA, são propulsores da restauração ecológica e ação climática. O estudo avalia cenários de mudança de uso do solo (Figura 1) e futuros projetados por INCTs do CNPq e da Fapesp:  Mudanças Climáticas Fase do Cemaden/MCTI e Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa da UFPE. "O estudo traz alternativas viáveis para as transições justas, ação climática e nova bioeconomia em torno dos reservatórios tropicais, que fundamentam estratégias globais, por exemplo, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF em inglês), Meta Global de Adaptação (GGA, em inglês) e Balanço Ético Global (GES, em inglês), dentre outros", explica o professor Mario Mendiondo, diretor do CRHEA, coordenador da pesquisa pela Fapesp e quem o apresentou durante a COP30.

Alcance nacional e internacional

Na COP30 de Belém, o estudo foi apresentado, primeiro, na Mesa Redonda de gestão hídrica e extremos climáticos  da "Casa da Ciência" sob a coordenação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Governo Federal (Figura 2). Depois, o estudo foi re-apresentado na sessão técnica internacional da Blue Zone da COP30 intitulada Colaboração em Ação: Parcerias Internacionais de Pesquisa como Catalisador para Soluções Climáticas Sistêmicas do pavilhão Ensino Superior para Ação Climática. Este   último é uma cooperação do projeto vigente do USP AUCANI, entre o BISCA-University of Birmingham e o CRHEA da EESC-USP sobre o nexo de água-saúde-sociedade iniciado em em 2025 e aprovado pelo Conselho Deliberativo do CRHEA em 2025.

Figura 2. Mesa Redonda de Emergência Climática e Segurança Hídrica organizada pelo MCTI na Casa da Ciência, Museu E. Goeldi, durante a COP30, Belém-PA. Fonte: MCTI. Maiores informações neste Link.

Fortalecido com a renovação do acordo University of Twente - USP,  o estudo do apoiado pela Fapesp trouxe novos olhares além do simples diagnóstico ambiental ou da cenarização futura. “Para fortalecer os Planos de Adaptação locais, o novo olhar adotado no artigo foi a partir da Saúde Planetária, via estratégia “SOPHIE” (“Sustainable Observatories for Planetary Health with Innovation and Entrepreneurship”) apresentada junto à CPq&I da EESC em 2024. Portanto, houve um cuidado de converter o problema (a geração de gases de efeito estufa dos reservatórios) em soluções e oportunidades de emprego com ações concretas e viáveis aos municípios vizinhos aos reservatórios”, afirma Mendiondo.

Ação local e olhar global da bioeconomia social e tropical

O estudo abre caminhos alternativos para novas métricas, mecanismos de financiamento, desenvolvimento de novos mercados e uma bioeconomia mais social. Isto é, integrando aspectos sociais, culturais e baseadas em valores das comunidades locais, especialmente comunidades vulneráveis, povos originários e grupos pouco representados. Além disso, o estudo contribui à diminuição da chamada "injustiça climática", fomenta ações de transição energética justa e inclusiva e fortalece com exemplos práticos, para os vários instrumentos de C&T&I em torno da bioeconomia. Especialmente, o estudo direciona soluções integrando marcos da leis federais:  Lei 9.433 (Recursos Hídricos), Lei 12.334 (Política Nacional de Segurança de Barragens), Lei 13.123 (Lei da Biodiversidade), Lei 13.243 (Marco legal de Ciência, Tecnologia e Inovação) e Lei 14.119 (Pagamento por Serviços Ambientais). "Embora nosso marco legal seja um dos mais completos no mundo, ainda ele carece de exemplos práticos que articulem esses instrumentos para melhorar o dia-a-dia do cidadão e do município ”, afirma o professor Mario Mendiondo.

Popularização científica, E-book gratuito e Curricularização da Extensão

A apresentação do estudo do CRHEA apoiado pela Fapesp é complementar à obra lançada pelo MCTI na COP30 de "Mudanças climáticas no Brasil: estado da arte e fronteiras do conhecimento", na qual a EESC-USP participa coautorando o capítulo O Papel Central da Água na Resiliência e Adaptação às Mudanças, publicado em formato e-book no catálogo digital da Editora Ibict, com acesso à obra na íntegra e pelos seus capítulos através do Digital Object Identifier (DOI) para cada capítulo. A obra pode ser consultada e divulgada a partir do endereço: "Mudanças climáticas no Brasil: estado da arte e fronteiras do conhecimento", via acesso Editora Ibict. Este material começará a ser usado para orientar novas atividades pedagógicas e de curricularização da extensão em disciplinas ministradas pela EESC.

Integração do CRHEA da EESC/USP durante seminário do pavilhão do Reino Unido na COP30, com a presença da Dra. L. Jabbour (BISCA, Univ. Birmingham) e líderes de povos originários transfronteiriços de América do Sul. Fonte: Projeto BISCA-CRHEA, "Nexos Água-Saúde-Sociedade para Sustentabilidade e Ação Climática". Mais informações neste Link.

Fonte: CRHEA EESC-USP


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