Podcast explica trajetória que levou a USP a ser referência internacional em robótica móvel
Novo episódio do podcast “Engenhando Talks” detalha como a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) utiliza robôs quadrúpedes em parceria com gigantes da indústria e em terapias para crianças
19/03/2026|Atualizado: 10/04/2026
Da Redação | SVCOM
19/03/2026|Atualizado: 10/04/2026 Da Redação | SVCOM

No 15º episódio do podcast Engenhando Talks, o professor Fernando Lavoie do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) recebeu Thiago Boaventura, também docente da USP, para discutir o estágio atual da robótica no Brasil e no mundo. O encontro destacou como a Universidade tem deixado de ser apenas um centro de ensino para se tornar um polo de desenvolvimento tecnológico aplicado, com frotas de robôs atuando em cenários reais que vão desde plataformas de petróleo até clínicas de psicologia. O podcast está disponível no Youtube neste link.

Boaventura, que coordena o grupo Legro (Legged Robotics), explicou que o foco principal de sua pesquisa hoje são os robôs quadrúpedes. Diferente dos robôs industriais fixos, a robótica móvel permite que essas máquinas se desloquem por ambientes complexos. Segundo o professor, a USP São Carlos possui hoje uma das maiores infraestruturas de robôs quadrúpedes do mundo, com cerca de 12 unidades em operação

Essas plataformas estão sendo aplicadas em dois grandes projetos com empresas de porte global: Petrobras, inspeção autônoma em plataformas e refinarias, visando retirar trabalhadores de situações de risco e insalubridade; ArcelorMittal, inspeção em plantas industriais metalúrgicas. Além do setor industrial, a robótica na USP explora fronteiras sociais e médicas. Boaventura revelou parcerias com psicólogos para utilizar “cachorros robóticos” como assistentes na terapia de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), facilitando a interação e o engajamento no tratamento.

Percepção humana da tecnologia

O grupo de pesquisa da EESC conta com a colaboração de um psicólogo para estudar a aceitação de robôs no ambiente de trabalho. “O objetivo é criar diretrizes para que os operadores vejam a máquina como uma ferramenta parceira, similar ao computador ou celular, e não como uma ameaça ao emprego”, analisa Boaventura. Tecnicamente, o professor detalhou os avanços em navegação indoor, onde os robôs utilizam sensores LiDAR (laser) e visão computacional 3D para mapear ambientes onde o GPS não funciona, como o interior de navios ou galpões industriais.

Sobre a competição global, Boaventura destacou o papel da China como a “grande fábrica de robôs do mundo”, o que reduziu drasticamente os custos de hardware. Para ele, o futuro do Brasil na área não está na fabricação do hardware (as peças físicas), mas no desenvolvimento da “inteligência”: softwares e algoritmos customizados para demandas específicas do mercado nacional, como construção civil e agronegócio.

O episódio reforça o papel fundamental das agências de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que permitem que a universidade pública brasileira mantenha uma infraestrutura equivalente à de instituições renomadas, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Veja abaixo o episódio na íntegra:


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